Hoje,
minha inatividade funcional por aposentadoria me possibilita freqüentar
eventos nos mais longínquos recantos, em qualquer dia da semana, sem o
compromisso dos horários de saída e chagada e, nem tampouco a
preocupação com o trabalho no dia seguinte, porém, quando vivemos sobre
duas rodas devemos conhecer, e cultuar dois aspectos fundamentais para
que nossas vidas e nossos passeios não sejam tomados, repentinamente,
pela surpresa de um enguiço, um acidente ou, o pior, uma falha da
máquina humana. À esses dois aspectos, que influenciam tanto o homem
como a máquina, chamamos de os dois SS do motociclismo.
Assim como a máquina pode nos
causar surpresas por um relaxamento na manutenção preventiva, num
descuido na condução ou, até mesmo, numa pane seca, devemos nos
preocupar até com as nossas emoções, pois nosso motor central (Coração),
nosso óleo lubrificante (sangue), os cabos e dutos (veias e artérias)
que conduzem esse óleo pelo motor humano e finalmente o nosso módulo de
inteligência (cérebro), podem vir a falhar num momento cruciante no
ápice do prazer das estradas, além de que, se não cuidarmos de outros
pequenos mecanismos da máquina e do homem, podemos realmente ficar na
estrada da vida.
Nessa fase da minha vida e, por
ter uma origem militarizada por quase quatro décadas, tenho cuidado da
minha máquina interna, mas, senti o peso da idade e do condicionamento
físico em dois momentos.
No final do ano passado, fui
surpreendido com dois momentos onde há emoção, de um cinquentenário,
fizeram-me lembrar dos dois “SS” do motociclismo, SEGURANÇA e SAÚDE. O
primeiro, por ser um fator preponderante na condução de uma máquina, o
segundo pelo condicionamento físico, pois, pela própria natureza do ser
humano os reflexos passam a ser comprometidos pela idade e a disposição
física passa a ser fator preponderante nos reflexos, sem contar com as
emoções repentinas.
No primeiro momento fui convidado
para participar dos testes das novas motos adquiridas pela Instituição,
onde a finalidade maior não era aprovar ou reprovar as novidades, mas
sim, um prestígio aos mais velhos que “ralaram” sobre as antigas 400 cc
durante as escoltas ou mesmo durante as apresentações festivas das
décadas de 80 e 90.
Logo depois vem uma nova emoção
quando convidado para a formatura dos novos Motociclistas do Primeiro
Batalhão de Guardas do Exército, onde com pouco mais de duas horas de
esclarecimentos e ensinamentos em uma moderna sala de aulas e depois com
a atuação prática de algumas formações e manobras com motocicletas no
pátio do Batalhão, pude testar, não só a emoção como também o
condicionamento físico através dos músculos do corpo que me fizeram
retornar aos bancos escolares do meu Curso de Motociclismo feito em 1979
na PMERJ. Ao término das visitas pude sentir o peso da idade numa
emoção e com direito a um copinho de refrigerante (com açúcar) para
diminuir uma taquicardia involuntária.
Meus amigos motociclistas.
Todo esse intróito nos remete a
reflexão sobre os dois “SS” do motociclismo propositalmente, pois, a
nosso ver, temos deixado de lado esses dois requisitos importantes para
uma pilotagem segura na condução de nossas máquinas.
O primeiro dos “S” de SEGURANÇA
significa uma série de requisitos que não podemos desprezar quando
partimos para uma viajem, um passeio, ou mesmo no dia-a-dia onde não
podemos desprezar fatores importantes como o Equilíbrio dinâmico (o
equilíbrio da motocicleta), Ver e ser Visto pelos ocupantes da via e o
Controle de Velocidade , pois, na pilotagem 90% é Raciocínio e apenas
10% é a Capacidade.
Na manutenção básica tudo é
fundamental, desde o estado dos pneus, luzes e, até mesmo, o
funcionamento do descanso lateral. Nos equipamentos lembremos-nos do
capacete regulamentado, óculos ou viseiras, luvas, botas e uma boa capa
de chuva para as intempéries.
Na frenagem devemos estar
condicionados ao freio traseiro em baixa velocidade e dianteiro em alta.
Nas emergências nunca desista de ambos até o final, e nos obstáculos
(buracos ou ondulações) nunca os passe com eles acionados.
O segundo “S”, de SAÚDE, fala de
estarmos sempre bem preparados fisicamente, pois, alguns motociclistas
só descobrem seus problemas quando são surpreendidos por uma
hipoglicemia, uma Arritmia, uma isquemia ou mesmo uma simples cefaléia
(forte dor de cabeça) que pode nos levar há um AVC ou para um Aneurisma.
Amigos.
Perdemos há pouco tempo alguns de
nossos amigos como: Ronaldo HD, Ferreirinha e no mês passado os amigos
Sélio e Maria de Paracambi, todos por problemas de saúde na condução de
suas máquinas. A SAÚDE, tal qual a SEGURANÇA, são requisitos
fundamentais, pois, quem de nós nunca ouviu falar de motociclistas,
homens e mulheres, que tiveram mal-súbitos tornando-os vítimas fatais?
Em nossa rotina não importa a
idade, onde atuamos profissionalmente, nossa situação financeira nem
mesmo a vaidade pela beleza estética, importa sim é estarmos bem
preparados para a atividade que amamos tanto e na certeza de uma ida e
volta onde o resultado final são as lembranças dos bons momentos, das
paisagens, o Rock e a saudade pela passagem por aquela cidade, aquele
evento na certeza do retorno no ano seguinte.
E você, amigo ou amiga motociclista, já fez um chek-up esse ano?
Um abraço.
Sobre o autor
Cel Dario Cony
Coronel da Reserva Policia Militar Rio de Janeiro
Motociclista Brevetado, com o CFoMES - Curso de Formação de Motociclistas Escoltas e Segurança da Polícia Militar do RJ
Quando Capitão, comandou o Pelotão de Motociclistas do Batalhão de Polícia de Choque.
É Motociclista desde os 21 anos de idade e já
possuiu: Honda CB 125 Japonesa/73, Honda 350/75, Honda 400 Four, Honda
750 Super Sport, Yamaha RD 350/76, Suzuky 750 (três cilindros) Hondas
Shadow, 600 e 750 e
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